Tomou um gole de cachaça
Pôs sua cabeça a rodar
E não é que Senhorita Rosinha
Nem pensa mais em trabalhar!
No trampo, no canto, que tanto
Mas que canseira a ela dá
Conheceu a bohemia da noite
Agora só fica a festejar.
Ela não come, não dorme, não descansa
Só quer mesmo farrear
Dama da noite, nova profissão
Resolveu novamente trampar.
Rosinha fica com um,
Rosinha fica com outro,
Desta canseira ela gostou
E seu pai José, freqüentador de casas noturnas
A seguinte notícia chegou:
-Moça nova e bonita,
Faz muito bem e cobra barato
Aceita até velho banguela
Você vai ficar acanhado.
Seu José pensou um pouco
E esboçou um sorriso de lado:
-Será mesmo que chegou
Uma merecedora deste cargo?
E com uma desfeita dessas
Seu Sebastião ficou tão bravo:
-Como pode o senhor
Uma dama ter desprezado?
Seu José mais que depressa
Foi obrigado a dizer :
-Na verdade meu amigo
Eu estou abismado
Como pode uma dama
De banguelas ter gostado?!
Deve ser profissional
Categoria deve ter
Até logo já vou indo
Quero logo a dama ver.
E para casa então correu
Nem o seu café tomou:
-Rosa mãe não vou comer,
Só tomarei banho e já me vou
O Rodrigo meu amigo
Para sua casa me convidou,
Jogar baralho esta noite
Primeira rodada já começou
Não me espere para dormir
A mulher dele viajou.
Esta noite será dos homens
E o banho já acabou
Pôs o terno mais elegante
E passou a colônia mais cara
Fez a barba, pos sapatos
Saiu ás pressas pela calçada
Já chegando no bordel
Não pediu a cerveja gelada
-Quero logo ir para o quarto
Com a moça mais ajeitada!
-Seu José tem novidades
Dama de fora aí chegou
Os clientes tem gostado,
Ela tem trabalhado um bocado.
-Essa mesma que eu quero
Peça a ela que me espere
Hoje estou tão ancioso
E sorriu todo pomposo.
Porém mal sabia ele
Que era a sua filha amada
A Rosinha cachaceira
Que os homens tem gostado.
Ascendeu o seu charuto
O chapéu jogou de lado
A bengala apoiava
Em seu andar ao fim da escada,
E lá no ultimo quarto
Com a porta escancarada
Uma dama o esperava
De costas ali parada
Vestimentas descaradas
Que nenhuma outra moça usava
-Boa noite Seu José
Pode me chamar de Rosa,
Uma noite inesquecível
O senhor irá passar!
Se você tem preferências
Trate logo de falar.
Esperou pela resposta
E ele nada a falar
Então a musica tocou
E Rosinha foi dançar
E quando ela rodopiou
Mas que susto ela levou
Pôs-se logo a chorar
E seu pai a disfarçar.
-Oh papai peço desculpas,
Não queria que soubesse
Eu não tive outra escolha
A cachaça me pegou!
-Minha filha largue disso
Que desculpa mais tolinha
Vou-me embora para casa
Pela manhã passe na praça
Sua bagagem lá estará.
Não estou te condenando
Eu estou é te poupando
Fugiremos para Brasília
Um cassino clandestino
Eu sou o dono de lá!
Você não trabalhara,
Muitos homens poderosos
Lá costumam freqüentar
E você vai se casar!
-Não papai me largue aqui
E vá o senhor morar lá,
Eu sou mulher trabalhadeira
Eu não gosto de tranqueiras
Eu não quero me ferrar
Quero ter o meu dinheiro
E beber minha cachaça
Quero ter os meus clientes
Quero ser independente.
Seu José bandido nato,
Fugiu mesmo pra Brasília
Foi viver na putaria
E esqueceu sua família.
Já Rosinha cachaceira
Faz sucesso na cidade
E como esta na flor da idade
A cachaça vem de graça.
Seu Sebastião um bom velhote,
Convidou-a pra casar,
E já que a moça não aceitou
A mãe dela convidou.
Rosa Mãe já tão carente
De Seu José era dependente
Mas sozinha não ficou
E com Seu Sebastião se casou.
As coisas foram se acertando
Cada um com o seu ficou
A cidade comentando
Mas com o tempo vão esquecendo
Mais um tempo relembrando
E tudo vai recomeçando.
Nenhum comentário:
Postar um comentário