domingo, 31 de julho de 2011

Meu fim

   E para que é isso tudo? Eu me arrumo, penteio os cabelos, uso vestido e meus saltos. Rabisco a minha cara, é assim que papai se refere a maquiagem. Quem me conhece não reconhece, que linda princesinha! Ando devagar ao lado de mamãe e comprimento suas amigas. Todas carregadas de joias e falsidade. Já os amigos de papai sempre com o mesmo papo para todas as menininhas: Nossa mais que belezinha, tão bonita! Vai dar um trabalho hein? Já tem namorado? Só porque você tem idade não é obrigada estar namorando, e ficam se entreolhando quando digo que não. "-Vá la com sua mãe, sente-se com as mulheres." Sente-se com as najas ele quis dizer. Que piadinhas mais sem graça, faço questão de não rir. Tudo o que eu trouxe foi um sorriso arranjado, mais somente na hora dos comprimentos, mal humor e antipatia. Não faço a menor questão de estar mesmo aqui, aliás, mera livre e espontânea pressão. Capitão América seria mais atraente. Estaria tão a vontade de tênis e jeans esparramada na poltrona do cinema, junto a um saco de pipoca gigantes e minha indispensável coca-cola. Esses perfumes se misturando tão doce e enjoativo me faz sentir enjoo. E essa musica? Eles dançam como se estivessem participando da apresentação de um circo mal frequentado qualquer. Já que é assim, não comi nada a tarde toda e faço a festa, pelo menos a comida aqui é uma delícia. Já era de alguém me reprimir: "É falta de educação encher o prato nessas festas, seja educada e coma somente o essencial" Pra mim o essencial é tudo isto aqui e em boa quantidade. Se quer mesmo saber, prefiro não comer já que é assim, vamos passar para o bom vinho, alguma coisa tem que vingar nesta tortura. Geladinho! Já que não estou nem um pouco afim de ouvir algumas barangas falando mal de outras o que me resta é rir deste grande teatro! Acredita que antes de sair de casa minha mãe estava ensaiando como tirar o casaco ao entrar na festa e pendurar no braço? Acha que não pode piorar? Fui ligar pra alguém me raptar desse zoológico e cade a bateria do meu celular? Oh Céus!
   Mais ali no cantinho tem uma moça. Uma moça não, uma velha. Ela dança e ri sozinha. Toda descabelada e tem sapatos da mesma cor de seu vestido, parece uma duende mãe. Sua maquiagem é tão colorida, mais ela não conversa com ninguém, ela só ri. Ela sorri pra mim. Acho que é meu fim, estou vendo duendes.

sábado, 30 de julho de 2011

Adeus a Ilha

   Ela é tão linda e essa sobremesa me faz ver os seus cabelos balançarem de uma forma diferente, agora estão mais brilhantes e compridos do que nunca, seus cabelos chegam ao chão. Eu acho que não, mais ela diz que ele compreende. Os raios coloridos veem das estrelas e iluminam a nossa pista de dança. Eu ando vendo pessoas a minha frente que não podem estar aqui, que não estão aqui. Mas eles nos viram dividir uma bebida de fogo com olhos de ogro, e com tantos espelhos assim eu não sei de que lado estão me olhando. Me vem uma liberdade de repente me fazendo contar histórias e conversas mal entendidas com alguém que não consigo olhar o rosto. Tem um demônio atras de mim, essa Moreia gigante e verde tenta comer a minha cabeça toda de uma só vez. Estou vidrada neste infinito azul, os meus olhos doem e ardem e eu mal consigo piscar, ela me enfeitiçou. Essa cobra mortal aparenta estar parada mas ela se aproxima aos poucos, e eu não consigo me mover.  Agora já em meu quarto ela come biscoitinhos com patê de peito de peru que não cheira nada bem. Enquanto eu disfarço as minhas viagens ela parece vó e manda tirar o sutiã do chão. Eu sei que elas precisam de espaço e de fato, eu não me comportei nada bem esta noite. Mas la fora ainda tem lua e a piscina me grita, é melhor eu me refrescar. Cheguei a lagoa e agora tenho até publico. Eles pensam que sou uma sereia. A minha cabeça pesa e preciso voltar ao meu quarto, antes que eu adormeça aqui mesmo. Diga adeus a Ilha. Não sei se vou conseguir, alguém me carrega.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Confesso

Confesso que senti saudades.
Confesso que senti medo.
Confesso que senti angustia.
Confesso que me fez chorar.
Confesso que na maior parte me fez rir.
Confesso que com você eu até que pensei que era feliz.
Confesso que eu sempre soube quem você era de verdade.
Confesso que eu não escuto mais Ben Roots quando estou só, porque lembro de quando cantava pra mim.
Confesso que não chupo pirulito big big cor-de-rosa porque me faz lembrar o nosso beijo.
Confesso que não gosto de fumar cigarros de palha porque em parte, esse era seu cheiro.
Confesso que quando te vejo, finjo não estar vendo mas sei o que fez durante a noite toda.
Confesso que cortei o meu cabelo porque você gostava dele comprido, e tudo que me faz lembrar-te, eu não quero mais.
Confesso que eu fingia ser boba só pra ver até onde você iria,
E confesso que você foi longe de mais.Eu me deixei levar.
Confesso que ninguém chegou até onde você foi, até hoje.
E confesso também que ninguém mais tinha esse direito a não ser você.
Confesso que sua atitude foi a de um covarde,
E confesso que logo após eu estava tão cega que não pude perceber.
Confesso que ás vezes eu ainda bebo por você,  por nós,
Como se estivesse aqui, como se estivesse ao meu lado,
Ainda.
Confesso que isso também me fez crescer, e saber que eu sou maior do que você.
Não me sinto superior, me sinto maior.
Confesso que melhorei as minhas amizades, e não ando tendo uma vida tão vulgar.
Confesso que agora eu sinto um aperto no meu coração, e que por você eu voltei a acreditar em Deus.
Mas confesso que você não me vinha fazendo falta.
Mas agora, eu confesso principalmente, que preciso que continue vivo.
Aqui. Não do meu lado, mas,
Confesso que quero ter a certeza, todos os dias, que você ainda está aqui, de que você sobreviveu.
Mas não espere que meu orgulho morra. Não por você.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Meu Anjo

E mais uma vez aconteceu. Esperei que todos dormissem, e já de roupas e sapatos, eu fiquei na cama durante algumas horas embaixo das cobertas, mas tudo já estava preparado. E então á meia noite eu começo a executar o mesmo plano. Eu levanto cuidadosamente no escuro e encontro o celular, é com aquele feixe de luz que eu localizo o meu caminho. As cortinas estão fechadas, tudo não passa de um disfarce, a janela preparada já me aguarda aberta. E, para noites tão belas eu jamais poderia esquecer do meu batom vermelho e meus brincos de mármore. Eu jamais poderia estar descuidada frente a incrível lua cheia e seu mestre gato o qual eu só vejo nessas noites, ou no filme da Alice. Porém, eu não uso meus saltos e nem roupas provocantes, muito menos levo bolsa. Apesar de linda a noite é perigosa. Forjo um corpo semelhante ao meu e deixo a confortável cama mal arrumada como se eu realmente estivesse lá. Ai está um beneficio para quem tem o corpo flexível e eu pulo a janela sem fazer qualquer ruído. O portão da entrada não faz barulho para abrir mais faz para fechar, e é por isso que ele fica aberto até eu voltar. Agora eu sou livre, independente. Agora eu faço o que quiser. Posso gritar, correr, deitar na rua, tentar um suicídio, roubar, matar, me embebedar, me drogar, mais eu não vou fazer isso. Eu não vou fazer tudo isso. Agora eu apenas caminho, a fim de ouvir todos os barulhos da cidade adormecida, parece música! Cada viagem dessas é mesmo fantástica! Fabulosa! Mais que se não o melhor companheiro de uma solitária da noite que o vinho? Pois bem, naquele boteco da esquina prestes a fechar, eu pago um preço absurdo. Não me importo. Passo por bosques e praças, algumas vazias e outras ainda encontro uma galera. Rodamos de carro sem ter pra onde ir, quando alguém cansado sede sua residência. Tudo o que temos são as pessoas, uma musica e um lugar. E eu começo a me confundir entre o real e o abstrato, e já não sei se estou no mundo real de quando sai de casa, ou em algum filme de ficção científica. Minha mãe me liga, será que ela descobriu a minha fuga? Eu não ligo não, ainda é cedo e a noite não acabou. Mas alguém insiste em me levar embora, eles devem saber disso melhor do que eu, não consigo voltar pra casa sozinha. Eu não consigo parar de rir, só que estou tão cansada que até o meu sorriso é devagar. Minha cabeça roda e o chão esta dançando, eu acho que vou com eles. Não vão fazer nada de mal pra mim, já os conheço tem bom tempo, eu só não mantenho contato frequentemente. O caminho foi longo, o carro estava abarrotado de pessoas saindo pelos vidros e animais pelo teto solar. Reconheço a minha rua e alguém abaixa o som, eu entro vagarosamente e me esforço para não fazer barulho, mais minha mãe acordou. Ela fala muito e eu não quero ouvir. Essa noite eu tenho companhia no meu quarto, eu vou dormir muito bem. Essa noite o meu anjo veio dormir comigo e Ela não vai me deixar voltar naquele lugar.