sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Esquecer
Que dia cansativo, havia tempos que não ficava assim, destruída. Estive na prisão pela manhã e durante a tarde toda. É, essas quintas feiras me matam. Cheguei em casa quase que rastejando pelo chão, trombando pelas paredes, já pensando em ir dormir. Só que minha velha me chamou, e ela quer a minha companhia, deve ser mais uma bronca. Mas que surpresa! Já estava na hora de a ter só para mim. Nos sentamos na mesa pequena, e como estava frio! Eu preferia tomar vinho. Ela quer cerveja de inverno, cerveja preta. E já me imaginou recusando uma dessas? Eu não. Aquele fim de tarde ou começo de noite estava a fim é de um sambinha. E falando nele, salve salve Jorge Aragão: " Tem nada a ver com a cor alguém sambar/Tem nada a ver com a cor saber gingar ". E aos poucos a gente acaba relaxando, solta os ombros, descruza as pernas, para de passar a mão pelo cabelo o tempo todo, e daí pra frente solta o verbo, sem se preocupar com um vocabulário nato, ou medir o nível de nossos palavrões. Falamos mal, falamos bem, não falamos nada. Falamos de um porco que usa terno e carrega um lenço na mão, mas este não é Rabicó. Ela estava de regime e agora quer me acompanhar: dali batata frita e linguiça calabresa com cebola e pimenta para a nossa larica da noite. Me parece que a velha até dançou por alguns segundos enquanto foi buscar o guardanapo, mas assim que percebeu que estava olhando, ela disfarçou e foi se deitar. Ela me largou lá, sozinha, com o chão rodando. Eu ainda estou cansada, mais devo dar boa noite a alguém. Fiquei lá, que nem boba, embaixo das cobertas pensando no que é que vou dizer, tentando apertar a letra certa. O bom senso me vence, mais que pessoa mais sem tipo! Você não está com a bola toda assim também não mocinha. Até Ela, a velha não, Ela, já não te aguenta mais e deu um basta. Você sabe de quem é que estou falando. Amanhã ou depois vai voltar para a capital e você vai ficar, você sempre fica. E se ele resolve ficar, só para te ver, é você quem vai. Ninguém te entende menina! É melhor esquecer.
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