terça-feira, 13 de setembro de 2011

Olhos de Limão

  E já fazia um bom tempo que continuava assim, sempre do mesmo jeito. Intacta, imóvel, como de costume. Não pensando nos outros, que estão olhando, comentando e achando tudo um absurdo. A não ser pra quem sabe ler olhares, e a minha volta parece que ninguém sabia. Eles são diferentes e todos iguais. Os rostos, as gírias, as roupas, e as idéias mudam. Mais não deixam de ser todos iguais, golpistas. E eu com o mesmo "não" rotineiro de sempre. As mesmas desculpas, as mesmas roupas, as mesmas idéias, os mesmo livros, as mesmas músicas, e a mesma despreocupação. A mesma cerveja, o mesmo vinho. A mesma marca de cigarros, a mesma corda de violão que sempre arrebenta, a mesma nota que desafina, a mesma dança. Os mesmo amigos, os mesmos lugares, as mesmas pessoas, as mesmas comidas, os mesmos horários. A mesma obsessão pelo café forte e as mesmas revistas em quadrinhos. Os mesmo sonhos, os mesmos planos. Sempre a mesma, sempre. Até cruzar meus olhos com os seus olhos, seus olhos de limão. Mas, pensa que nunca havia visto olhos de limão? Já sim, porém não tão de perto. Mesmo assim, você não se torna diferente. Seus olhos de limão também mentem, e mentem bonito demais! É, devo confessar que você é um golpista tentador.

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