sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Engravatados
Limpos, bem cuidados, penteados, empacotados e engravatados eles saem a procura da felicidade. Assisto isso á todos os dias da minha vida, mais este mundo é mesmo injusto. Correm de um lado para outro com um copo de café na mão para seus chefes intrigantes. Se formou em advocacia e não em garçom. Eles não se contentam, sempre querem mais. O celular novo da semana passado a gente da pro filhote brincar, eu quero outro. Pra madame a bolsa ecologicamente correta me parece tão fuleira, e nada nada uns 4mil em uma carteira da Louis Vouitton. O moleque não quer mais saber das sandálias tão maneiras que ficam piscando quando são pisadas. É PS3 e Wii pra todas as salas de TV, malditos! E cade a queimada, todo mundo sujo correndo atras da bola ali na rua. Obsessivos por consumo. Poxa vida, ficam encabulados ao me ouvir dizer que já achei que tinha o poder, só porque tive o saci-pererê preso dentro de uma garrafinha no meu quarto embaixo da cama. Eu tinha medo de curupira moço! Eu já quis ser uma power ranger rosa, já me imaginou: "-É hora de morfar!" Bobagens. Só que eles correm e eu fico aqui a observar. É segunda de manhã e olha que sol, que coisa maravilhosa! Eu quero viver do meu trabalho, da natureza. Aquele cara me deu tudo, eu tenho sementes de açaí e uma água de coco. Eu quero sentir o frio da manhã. Eu quero sentir os meus pés sobre o orvalho que caiu na grama esta noite. Eu quero esquentar as minhas mãos com o calor da minha boca. Mais daqui a pouco está na hora e eu vou mudar de casa. Os "heróis" não perdoam, eles levam tudo e eu fico com a roupa do corpo. Eles não se preocupam com o pior, eu não quero mal a ninguém. Eu não sou ladrão! Eu só quero o que é meu, eu quero liberdade! Coragem nunca venceu bala, eu vou embora com meus Deuses. Deus do Sol a águia no ar; dos animais o leão na terra, e o Deus da água, Iemanjá. Eu vou com eles, conhecendo cada canto desse mundão. Acho que sou imortal, quero conhecer tudo, vou tranquilo de chinelos, eu tenho tempo. Mas como estava dizendo, eu, com uma vida boa dessas, e os engravatados se vendo a disputar um pedaço de chão entre quatro paredes com uma tela colorida. Esse mundo é mesmo injusto, meus desenhos são lindos!
sábado, 13 de agosto de 2011
Vídeo game
Excesso de respeito, isso me prejudica. E eu retruco, e eu falo, e eu grito. E no fim, eu cedo. Como pode isso? Só sei que me sufoca e eu já não estou mais aguentando. Eu fico tensa em todas as horas do dia, eu mecho na cama o tempo todo enquanto durmo. Eu tenho tique nervoso nas pernas. Eu converso sozinha. Eu sou viciada em café. Eu odeio estudar. Eu tenho dificuldades pra concentrar, e pra medir minhas bebidas. Eu também não sei conversar. Aparecem machucados pelo meu corpo que não sei de onde vem. Eu me tranco em algum lugar e ligo a musica no mais alto que consigo, eu canto junto também. A cada toque dessa musica psicótica eu relaxo cada vez mais. Eu vejo fadas flutuantes e borboletas no meu quarto. Eu me alimento muito mal você não acha? Eu tomo banho e ouço gritos, batidas na porta do banheiro. Eles me esperam só pra dizer que não concordam, mais é tudo para o meu bem, não é querida? Com quem é que esta andando? Cade os seus amigos? Aonde é que você vai? Essas pessoas não me aparentam ser..elas não combinam com você. Quem é para mim, Deus? Não sei se acredito mais. E é por isso, é só por isso que eu vou sair de novo. Que eu vou fazer tudo outra vez. Eu não me importo, eu não quero mais saber. Ah, eu adoro vídeo game!
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Azul
E eu estava ali. Parada, sentada. Aquela cadeira velha e bamba rodopio como quem não pensa em nada, e não penso mesmo. Minhas pernas rodam pra lá. Minhas pernas rodam pra cá. Eu não dançava a música que eles ouvem, lixo. Tenho os meus fones. E na verdade os nossos olhares já se cruzaram uma vez, se cruzam cinco vezes por semana. Agora é tudo azul, completamente azul. Mas, tudo faz parte do meu plano: cotidiano. Eu não gosto dele, mas, alguém me obriga a viver a seu lado. Enfim, eu estou aqui e agora. Eu bebo o meu vinho e sinto dificuldades pra escrever e pensar em um só assunto. Só que voltando ao que falava antes, eu não tenho senso de humor, não sou simpática e, o mais cruel, eu não sei mentir. É, quando acontecer com vocês, vocês vão ver, podem rir agora, só que mais tarde eu sumirei, não vão me ver nos finais de semana. Hahaha. Muito cruel pra vocês? Fracos, farei pior. E quanto á você, esqueça. Eu mal sei pronunciar o seu nome. Curta e grossa, desculpe. Não faz o meu gênero, infelizmente, ou felizmente não sei. Algumas já fizeram, é claro. E uns outros fingem não saber. Mas prefiro assim, não gosto deste assunto. Já não mais sobre o que é que estou falando.Tudo azul.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Esquecer
Que dia cansativo, havia tempos que não ficava assim, destruída. Estive na prisão pela manhã e durante a tarde toda. É, essas quintas feiras me matam. Cheguei em casa quase que rastejando pelo chão, trombando pelas paredes, já pensando em ir dormir. Só que minha velha me chamou, e ela quer a minha companhia, deve ser mais uma bronca. Mas que surpresa! Já estava na hora de a ter só para mim. Nos sentamos na mesa pequena, e como estava frio! Eu preferia tomar vinho. Ela quer cerveja de inverno, cerveja preta. E já me imaginou recusando uma dessas? Eu não. Aquele fim de tarde ou começo de noite estava a fim é de um sambinha. E falando nele, salve salve Jorge Aragão: " Tem nada a ver com a cor alguém sambar/Tem nada a ver com a cor saber gingar ". E aos poucos a gente acaba relaxando, solta os ombros, descruza as pernas, para de passar a mão pelo cabelo o tempo todo, e daí pra frente solta o verbo, sem se preocupar com um vocabulário nato, ou medir o nível de nossos palavrões. Falamos mal, falamos bem, não falamos nada. Falamos de um porco que usa terno e carrega um lenço na mão, mas este não é Rabicó. Ela estava de regime e agora quer me acompanhar: dali batata frita e linguiça calabresa com cebola e pimenta para a nossa larica da noite. Me parece que a velha até dançou por alguns segundos enquanto foi buscar o guardanapo, mas assim que percebeu que estava olhando, ela disfarçou e foi se deitar. Ela me largou lá, sozinha, com o chão rodando. Eu ainda estou cansada, mais devo dar boa noite a alguém. Fiquei lá, que nem boba, embaixo das cobertas pensando no que é que vou dizer, tentando apertar a letra certa. O bom senso me vence, mais que pessoa mais sem tipo! Você não está com a bola toda assim também não mocinha. Até Ela, a velha não, Ela, já não te aguenta mais e deu um basta. Você sabe de quem é que estou falando. Amanhã ou depois vai voltar para a capital e você vai ficar, você sempre fica. E se ele resolve ficar, só para te ver, é você quem vai. Ninguém te entende menina! É melhor esquecer.
domingo, 31 de julho de 2011
Meu fim
E para que é isso tudo? Eu me arrumo, penteio os cabelos, uso vestido e meus saltos. Rabisco a minha cara, é assim que papai se refere a maquiagem. Quem me conhece não reconhece, que linda princesinha! Ando devagar ao lado de mamãe e comprimento suas amigas. Todas carregadas de joias e falsidade. Já os amigos de papai sempre com o mesmo papo para todas as menininhas: Nossa mais que belezinha, tão bonita! Vai dar um trabalho hein? Já tem namorado? Só porque você tem idade não é obrigada estar namorando, e ficam se entreolhando quando digo que não. "-Vá la com sua mãe, sente-se com as mulheres." Sente-se com as najas ele quis dizer. Que piadinhas mais sem graça, faço questão de não rir. Tudo o que eu trouxe foi um sorriso arranjado, mais somente na hora dos comprimentos, mal humor e antipatia. Não faço a menor questão de estar mesmo aqui, aliás, mera livre e espontânea pressão. Capitão América seria mais atraente. Estaria tão a vontade de tênis e jeans esparramada na poltrona do cinema, junto a um saco de pipoca gigantes e minha indispensável coca-cola. Esses perfumes se misturando tão doce e enjoativo me faz sentir enjoo. E essa musica? Eles dançam como se estivessem participando da apresentação de um circo mal frequentado qualquer. Já que é assim, não comi nada a tarde toda e faço a festa, pelo menos a comida aqui é uma delícia. Já era de alguém me reprimir: "É falta de educação encher o prato nessas festas, seja educada e coma somente o essencial" Pra mim o essencial é tudo isto aqui e em boa quantidade. Se quer mesmo saber, prefiro não comer já que é assim, vamos passar para o bom vinho, alguma coisa tem que vingar nesta tortura. Geladinho! Já que não estou nem um pouco afim de ouvir algumas barangas falando mal de outras o que me resta é rir deste grande teatro! Acredita que antes de sair de casa minha mãe estava ensaiando como tirar o casaco ao entrar na festa e pendurar no braço? Acha que não pode piorar? Fui ligar pra alguém me raptar desse zoológico e cade a bateria do meu celular? Oh Céus!
Mais ali no cantinho tem uma moça. Uma moça não, uma velha. Ela dança e ri sozinha. Toda descabelada e tem sapatos da mesma cor de seu vestido, parece uma duende mãe. Sua maquiagem é tão colorida, mais ela não conversa com ninguém, ela só ri. Ela sorri pra mim. Acho que é meu fim, estou vendo duendes.
Mais ali no cantinho tem uma moça. Uma moça não, uma velha. Ela dança e ri sozinha. Toda descabelada e tem sapatos da mesma cor de seu vestido, parece uma duende mãe. Sua maquiagem é tão colorida, mais ela não conversa com ninguém, ela só ri. Ela sorri pra mim. Acho que é meu fim, estou vendo duendes.
sábado, 30 de julho de 2011
Adeus a Ilha
Ela é tão linda e essa sobremesa me faz ver os seus cabelos balançarem de uma forma diferente, agora estão mais brilhantes e compridos do que nunca, seus cabelos chegam ao chão. Eu acho que não, mais ela diz que ele compreende. Os raios coloridos veem das estrelas e iluminam a nossa pista de dança. Eu ando vendo pessoas a minha frente que não podem estar aqui, que não estão aqui. Mas eles nos viram dividir uma bebida de fogo com olhos de ogro, e com tantos espelhos assim eu não sei de que lado estão me olhando. Me vem uma liberdade de repente me fazendo contar histórias e conversas mal entendidas com alguém que não consigo olhar o rosto. Tem um demônio atras de mim, essa Moreia gigante e verde tenta comer a minha cabeça toda de uma só vez. Estou vidrada neste infinito azul, os meus olhos doem e ardem e eu mal consigo piscar, ela me enfeitiçou. Essa cobra mortal aparenta estar parada mas ela se aproxima aos poucos, e eu não consigo me mover. Agora já em meu quarto ela come biscoitinhos com patê de peito de peru que não cheira nada bem. Enquanto eu disfarço as minhas viagens ela parece vó e manda tirar o sutiã do chão. Eu sei que elas precisam de espaço e de fato, eu não me comportei nada bem esta noite. Mas la fora ainda tem lua e a piscina me grita, é melhor eu me refrescar. Cheguei a lagoa e agora tenho até publico. Eles pensam que sou uma sereia. A minha cabeça pesa e preciso voltar ao meu quarto, antes que eu adormeça aqui mesmo. Diga adeus a Ilha. Não sei se vou conseguir, alguém me carrega.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Confesso
Confesso que senti saudades.
Confesso que senti medo.
Confesso que senti angustia.
Confesso que me fez chorar.
Confesso que na maior parte me fez rir.
Confesso que com você eu até que pensei que era feliz.
Confesso que eu sempre soube quem você era de verdade.
Confesso que eu não escuto mais Ben Roots quando estou só, porque lembro de quando cantava pra mim.
Confesso que não chupo pirulito big big cor-de-rosa porque me faz lembrar o nosso beijo.
Confesso que não gosto de fumar cigarros de palha porque em parte, esse era seu cheiro.
Confesso que quando te vejo, finjo não estar vendo mas sei o que fez durante a noite toda.
Confesso que cortei o meu cabelo porque você gostava dele comprido, e tudo que me faz lembrar-te, eu não quero mais.
Confesso que eu fingia ser boba só pra ver até onde você iria,
E confesso que você foi longe de mais.Eu me deixei levar.
Confesso que ninguém chegou até onde você foi, até hoje.
E confesso também que ninguém mais tinha esse direito a não ser você.
Confesso que sua atitude foi a de um covarde,
E confesso que logo após eu estava tão cega que não pude perceber.
Confesso que ás vezes eu ainda bebo por você, por nós,
Como se estivesse aqui, como se estivesse ao meu lado,
Ainda.
Confesso que isso também me fez crescer, e saber que eu sou maior do que você.
Não me sinto superior, me sinto maior.
Confesso que melhorei as minhas amizades, e não ando tendo uma vida tão vulgar.
Confesso que agora eu sinto um aperto no meu coração, e que por você eu voltei a acreditar em Deus.
Mas confesso que você não me vinha fazendo falta.
Mas agora, eu confesso principalmente, que preciso que continue vivo.
Aqui. Não do meu lado, mas,
Confesso que quero ter a certeza, todos os dias, que você ainda está aqui, de que você sobreviveu.
Mas não espere que meu orgulho morra. Não por você.
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