segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Coruja malandra
Acordou cansada, na noite passada estivera cheia de grafites, pergaminhos, conversas com historiadores carecas e ligações não retornadas. Mas hoje é o grande dia e o cansaço não é motivo de maior preocupação. Levanta sem problemas, e foi tudo uma perca de tempo. Não resolvera nada de seu assunto principal. Por fim, uma viagem cansativa de meia hora faz parte de seus cabelos juntamente com seu chapéu se derreter aos poucos. Um almoço cansativo a três acompanhado de copos nada bonitos. Deveria ter descansado, mas não pode ser comparada a Chita. Mais perca de tempo, e a moça das unhas coloridas se antecipa. Água fria de seu banho muito rápido deve melhorar esta cabeleira. Vermelho, pra não perder o costume. É, dormiu desconfortável com as mãos amarradas pra cima, tantos sonhos em tão pouco tempo. Coelhos de laboratório por toda parte. Por fim, o toque de uma ligação nada importante a acorda e ela vai se preparar. Olhos de rock, de águia, de Cleópatra, olhos de seja la o que for. Seu vestido, rasgaram-no de mais, gosto assim mesmo. Cores coloridas. Bebidas azuis podem ser um ótimo fortificante para a noite de hoje. E chegou o seu carro favorito, o carro dela! Ótimas companhias, ótimas musicas! Saiu tarde, chegou cedo, levou a cria dela. Está tudo tão agradável e todo mundo tão bonito. E não é que a criaturinha sabe até se comportar, parece gente! Fotos ridículas e maneiras passam por lá o tempo todo e por instantes sentiu saudades de seus cabelos. Por fim, já não sei mais o que andou fazendo. Na área descoberta acaba conversando com uma coruja malandra, mas a me viu! Criaturinha a viu fumando um cigarro com a coruja malandra! Escândalos, o jovenzinho resolveu dar um show, ameaçou de ligar aos velhos. O que é que posso fazer, hoje é o grande dia! Ele não liga, acha-a ridícula. Roubaram sua caneca personalizada. Desesperada ainda comeu dinheiro. Um pavão e grandes bochechas conseguiram acalma-la. Como é que pode uma coisa dessas? Ele que vá embora se quiser. Mas não foi bem assim, entrou no carro do senhor mãos calejadas e não disse uma palavra até a chegada. Não conseguiu se controlar, pensou que já morasse sozinha, saiu de casa novamente. O sol já esta para nascer. Ligou para tanta gente. Ligou certo, ligou errado, nem ligava. Novamente um carro louco e desgovernado pilotado por crianças a leva de pijama até a loja de sanduíches, e não se preocupa em quantas vezes bate sua cabeça no vidro, ela nem sabe seus nomes. Por fim, ainda encontrou sua câmera...na loja de sanduíches? O que fazia por lá? Poxa, pensou que não houvesse ninguém, mas até os heróis passaram por ali. A loja está cheia, parece que não gostam de moças de pijamas. Que é que se podia fazer? O rapaz do bairro que não tinha televisão e nem rádio fala tantas coisas, mas não consegue lembrar de nada. Andou, andou: Oriental! Encontrei vocês! E na escada prateada pode ver o sol nascer em paz. Cantei para ele, para o sol. Cantei e dancei como uma louca na praça. Mulheres e seus maridos aparecem na janela para observar. Não o mais incomodará, e partiu. O velho a esperava na sala, mas ela não quis conversar. Ainda achava que morava sozinha, deve ser uma miragem. Ela ainda nem sabe, mas sentirá tanta saudades!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Não confie em duendes.
Esse negócio de não beber e não fumar está me deixando louca! Essa história de gastar horas estudando e nada de músicas, filmes ou vídeo-game durante a semana. Eu não estou mais aguentando. Esse negócio de uma boa alimentação, frutas, saladas e menos cafeína não da mais para aguentar. Oscilação de humor constantemente, e eu mal posso decidir entre coisas bobas em simples situações. Jack, duende maldito me abandonou e quando mais preciso, não quer mais me ver. Este silêncio me faz escutar batidas consecutivas de uma música infernal que nem existe, ela toca o tempo todo em todos os lugares. A mesma musica, eu não quero mais te ouvir! Essa luz branca obriga meus olhos estarem cerrados a todo momento para ler histórias mentirosas. Jack seu infeliz, cade você diabos? Maldito! MALDITO! Eu não mais consigo dormir em paz, letras, números e cadeiras verdes invadem os meus sonhos, me assombrando com seus riscos vermelhos e risadas maléficas. Mas estou tão cansada, eu quero paz. Tubarões e peixes cartilaginosos são marinhos e se comportam como dulcícola! Porque não como marinhos mesmo, já que os mesmo são? Entra e sai de sais pelo seu corpo , desidrata porque é burro e porque quis. Se bebo água do mar não foi porque me obrigaram certo? É, devo confessar que ha tempos não nadava com um deles. Mesmo assim, ainda não estava com saudades. É melhor ir, seu assovio me deixa tonta. O que me resta é deixar-lhes um conselho antes de embarcar no meu tapete mágico: nunca confie em duendes, Jack me abandonou!
domingo, 18 de setembro de 2011
A Flor
-Você ia dizer algo?
-Preciso ir.
-Ah! Era mesmo o que queria ouvir.
Arrancou sua máscara, que ousadia! Isso jamais poderia ter acontecido. Seus 'Olhos de limão' a vira sem máscara, nua e crua -a verdade redonda. Sem dó nem piedade, a viu estampada em sua cara. A flor. Ele ofereceu sua flor a alguém, mas não se sabe a quem. Sua flor, isto, ofereceu a alguém que a aceitou, e depois a trocou. Está com ela. Não, eu já disse que não sei quem é. Depois da máscara despida, facilmente ela notou, percebeu que a flor dele se fora mesmo com alguém. Mas seus 'Olhos de limão' não entendem, é tudo tão complexo, não é mesmo? Alguém.Melhor? Bem pior, muito pior. Ele não entende nada, ela não sabe explicar. Ela jamais passara sua flor a alguém, pensara em passar. Mas foi roubada! Um feitiço! E depois de enganada nunca mais fora a mesma. Raptaram sua flor. E lançou-se a maldição. Mas ela aprendeu a lidar com tal, é tão fácil depois que se aprende. Basta neutralizar, como num balanceamento de equações químicas do cabeludo, ou no equilíbrio químico do pagodeiro: todos buscam o equilíbrio desde o 2°. É só cortar os cabelos e ninguém vai lembrar de nada, um disfarce perfeito! Uma outra pessoa! Jamais a reconhecerão. E deu certo, agora aparenta alguém de verdade. Já tem tudo planejado, pesquisou durante milênios nos livros proibidos de emprestar, e no "google" também. Ela estuda e usa vestidos, não mais sai descabelada e bêbada pelas ruas durante as madrugadas.
-O que foi que aconteceu?
-Você não vai querer saber, e eu não quero falar.
-Você lembrou de alguém?
-Não.
-Sim!
-Sim.
Agora ela pode ir com suas companhias pensar em outro alguém. Está tudo bem, não quer mais os seus brincos. Se os achasse talvez ele a teria acompanhado, ela queria dizer mais. Não é questão de explicação, não o deve satisfação oras bolas. Vendo a situação pelo lado de fora, foi melhor assim. Ele deixou uma pista, uma dica, um conselho:
-Pense em coisas boas.
Como se atreve? Mal sabe os seus 'Olhos de limão' o que é que se passava na cabeça dela. E lhe confesso que não é nada agradável, prefere agora não o ver mais. Não hoje.
No dia seguinte, ela acordou sozinha em sua cama, e ficou ali, parada e imóvel durante muito tempo, escutou o seu disco todo. Depois de tanto não pensar em nada: "O rótulo ficou mal feito". Ela pensa. Mas é claro! Aquilo não foi um rótulo, não foi nada, ou foi demais. Foi ela! Penso que somente foi, sempre é alguma coisa. Se eu pudesse ajuda-la, mas é que, não se deve interferir nestas questões. Além de que, a xerife está a caminho. Um almoço diferente. Tudo bem, ela já se recompôs, e usa sua máscara novamente. Nem parece que aconteceu algo tão estranho ontem. Jamais pensou que pudesse relembrar momentos tão cruéis. Estranho para ela, na cabeça dela. Acho que anda bebendo de mais, ou melhor, acho que anda estudando de mais.
Sabe que, eu não concordo em uma coisa: o ódio e o amor não são coisas muito próximas, digo que são dois nomes diferentes para a mesma "coisa". O ódio nada mais é que o amor, ao nível 0 ou 1 talvez. E o amor é o amor mesmo, ao nível 10. Já a pena, é verdade, esta é a pior. Está nos negativos, mas isto não vem ao caso. Não se passou pela cabeça de ninguém. É que na verdade, ela não sente ódio pelo outro, ela nem sente. Não sei o que foi que aconteceu. É, eu disse desde o princípio: complexo. Agora, venhamos e convenhamos: não estou a reconhecendo. Alguém sabe o que é que aconteceu? Ah, me lembrei: o feitiço, 'olhos de limão', sem máscaras.
Descongelou-se. Seu diamante, ela o viu brilhar. No espelho de seu quarto, um novo elefante: prosperidade. Elefante que sai fumaças. Letras coloridas. Desmaiou. Só acorda, só atende, só responde amanhã. Não mais quer saber de flores e suas histórias por hoje. É melhor escrever do que falar, ela não sabe conversar.Espero que ela durma bem.
-Você ia dizer algo?
-Preciso ir.
-Ah! Era mesmo o que eu queria ouvir.
-Preciso ir.
-Ah! Era mesmo o que queria ouvir.
Arrancou sua máscara, que ousadia! Isso jamais poderia ter acontecido. Seus 'Olhos de limão' a vira sem máscara, nua e crua -a verdade redonda. Sem dó nem piedade, a viu estampada em sua cara. A flor. Ele ofereceu sua flor a alguém, mas não se sabe a quem. Sua flor, isto, ofereceu a alguém que a aceitou, e depois a trocou. Está com ela. Não, eu já disse que não sei quem é. Depois da máscara despida, facilmente ela notou, percebeu que a flor dele se fora mesmo com alguém. Mas seus 'Olhos de limão' não entendem, é tudo tão complexo, não é mesmo? Alguém.Melhor? Bem pior, muito pior. Ele não entende nada, ela não sabe explicar. Ela jamais passara sua flor a alguém, pensara em passar. Mas foi roubada! Um feitiço! E depois de enganada nunca mais fora a mesma. Raptaram sua flor. E lançou-se a maldição. Mas ela aprendeu a lidar com tal, é tão fácil depois que se aprende. Basta neutralizar, como num balanceamento de equações químicas do cabeludo, ou no equilíbrio químico do pagodeiro: todos buscam o equilíbrio desde o 2°. É só cortar os cabelos e ninguém vai lembrar de nada, um disfarce perfeito! Uma outra pessoa! Jamais a reconhecerão. E deu certo, agora aparenta alguém de verdade. Já tem tudo planejado, pesquisou durante milênios nos livros proibidos de emprestar, e no "google" também. Ela estuda e usa vestidos, não mais sai descabelada e bêbada pelas ruas durante as madrugadas.
-O que foi que aconteceu?
-Você não vai querer saber, e eu não quero falar.
-Você lembrou de alguém?
-Não.
-Sim!
-Sim.
Agora ela pode ir com suas companhias pensar em outro alguém. Está tudo bem, não quer mais os seus brincos. Se os achasse talvez ele a teria acompanhado, ela queria dizer mais. Não é questão de explicação, não o deve satisfação oras bolas. Vendo a situação pelo lado de fora, foi melhor assim. Ele deixou uma pista, uma dica, um conselho:
-Pense em coisas boas.
Como se atreve? Mal sabe os seus 'Olhos de limão' o que é que se passava na cabeça dela. E lhe confesso que não é nada agradável, prefere agora não o ver mais. Não hoje.
No dia seguinte, ela acordou sozinha em sua cama, e ficou ali, parada e imóvel durante muito tempo, escutou o seu disco todo. Depois de tanto não pensar em nada: "O rótulo ficou mal feito". Ela pensa. Mas é claro! Aquilo não foi um rótulo, não foi nada, ou foi demais. Foi ela! Penso que somente foi, sempre é alguma coisa. Se eu pudesse ajuda-la, mas é que, não se deve interferir nestas questões. Além de que, a xerife está a caminho. Um almoço diferente. Tudo bem, ela já se recompôs, e usa sua máscara novamente. Nem parece que aconteceu algo tão estranho ontem. Jamais pensou que pudesse relembrar momentos tão cruéis. Estranho para ela, na cabeça dela. Acho que anda bebendo de mais, ou melhor, acho que anda estudando de mais.
Sabe que, eu não concordo em uma coisa: o ódio e o amor não são coisas muito próximas, digo que são dois nomes diferentes para a mesma "coisa". O ódio nada mais é que o amor, ao nível 0 ou 1 talvez. E o amor é o amor mesmo, ao nível 10. Já a pena, é verdade, esta é a pior. Está nos negativos, mas isto não vem ao caso. Não se passou pela cabeça de ninguém. É que na verdade, ela não sente ódio pelo outro, ela nem sente. Não sei o que foi que aconteceu. É, eu disse desde o princípio: complexo. Agora, venhamos e convenhamos: não estou a reconhecendo. Alguém sabe o que é que aconteceu? Ah, me lembrei: o feitiço, 'olhos de limão', sem máscaras.
Descongelou-se. Seu diamante, ela o viu brilhar. No espelho de seu quarto, um novo elefante: prosperidade. Elefante que sai fumaças. Letras coloridas. Desmaiou. Só acorda, só atende, só responde amanhã. Não mais quer saber de flores e suas histórias por hoje. É melhor escrever do que falar, ela não sabe conversar.Espero que ela durma bem.
-Você ia dizer algo?
-Preciso ir.
-Ah! Era mesmo o que eu queria ouvir.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Olhos de Limão
E já fazia um bom tempo que continuava assim, sempre do mesmo jeito. Intacta, imóvel, como de costume. Não pensando nos outros, que estão olhando, comentando e achando tudo um absurdo. A não ser pra quem sabe ler olhares, e a minha volta parece que ninguém sabia. Eles são diferentes e todos iguais. Os rostos, as gírias, as roupas, e as idéias mudam. Mais não deixam de ser todos iguais, golpistas. E eu com o mesmo "não" rotineiro de sempre. As mesmas desculpas, as mesmas roupas, as mesmas idéias, os mesmo livros, as mesmas músicas, e a mesma despreocupação. A mesma cerveja, o mesmo vinho. A mesma marca de cigarros, a mesma corda de violão que sempre arrebenta, a mesma nota que desafina, a mesma dança. Os mesmo amigos, os mesmos lugares, as mesmas pessoas, as mesmas comidas, os mesmos horários. A mesma obsessão pelo café forte e as mesmas revistas em quadrinhos. Os mesmo sonhos, os mesmos planos. Sempre a mesma, sempre. Até cruzar meus olhos com os seus olhos, seus olhos de limão. Mas, pensa que nunca havia visto olhos de limão? Já sim, porém não tão de perto. Mesmo assim, você não se torna diferente. Seus olhos de limão também mentem, e mentem bonito demais! É, devo confessar que você é um golpista tentador.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Engravatados
Limpos, bem cuidados, penteados, empacotados e engravatados eles saem a procura da felicidade. Assisto isso á todos os dias da minha vida, mais este mundo é mesmo injusto. Correm de um lado para outro com um copo de café na mão para seus chefes intrigantes. Se formou em advocacia e não em garçom. Eles não se contentam, sempre querem mais. O celular novo da semana passado a gente da pro filhote brincar, eu quero outro. Pra madame a bolsa ecologicamente correta me parece tão fuleira, e nada nada uns 4mil em uma carteira da Louis Vouitton. O moleque não quer mais saber das sandálias tão maneiras que ficam piscando quando são pisadas. É PS3 e Wii pra todas as salas de TV, malditos! E cade a queimada, todo mundo sujo correndo atras da bola ali na rua. Obsessivos por consumo. Poxa vida, ficam encabulados ao me ouvir dizer que já achei que tinha o poder, só porque tive o saci-pererê preso dentro de uma garrafinha no meu quarto embaixo da cama. Eu tinha medo de curupira moço! Eu já quis ser uma power ranger rosa, já me imaginou: "-É hora de morfar!" Bobagens. Só que eles correm e eu fico aqui a observar. É segunda de manhã e olha que sol, que coisa maravilhosa! Eu quero viver do meu trabalho, da natureza. Aquele cara me deu tudo, eu tenho sementes de açaí e uma água de coco. Eu quero sentir o frio da manhã. Eu quero sentir os meus pés sobre o orvalho que caiu na grama esta noite. Eu quero esquentar as minhas mãos com o calor da minha boca. Mais daqui a pouco está na hora e eu vou mudar de casa. Os "heróis" não perdoam, eles levam tudo e eu fico com a roupa do corpo. Eles não se preocupam com o pior, eu não quero mal a ninguém. Eu não sou ladrão! Eu só quero o que é meu, eu quero liberdade! Coragem nunca venceu bala, eu vou embora com meus Deuses. Deus do Sol a águia no ar; dos animais o leão na terra, e o Deus da água, Iemanjá. Eu vou com eles, conhecendo cada canto desse mundão. Acho que sou imortal, quero conhecer tudo, vou tranquilo de chinelos, eu tenho tempo. Mas como estava dizendo, eu, com uma vida boa dessas, e os engravatados se vendo a disputar um pedaço de chão entre quatro paredes com uma tela colorida. Esse mundo é mesmo injusto, meus desenhos são lindos!
sábado, 13 de agosto de 2011
Vídeo game
Excesso de respeito, isso me prejudica. E eu retruco, e eu falo, e eu grito. E no fim, eu cedo. Como pode isso? Só sei que me sufoca e eu já não estou mais aguentando. Eu fico tensa em todas as horas do dia, eu mecho na cama o tempo todo enquanto durmo. Eu tenho tique nervoso nas pernas. Eu converso sozinha. Eu sou viciada em café. Eu odeio estudar. Eu tenho dificuldades pra concentrar, e pra medir minhas bebidas. Eu também não sei conversar. Aparecem machucados pelo meu corpo que não sei de onde vem. Eu me tranco em algum lugar e ligo a musica no mais alto que consigo, eu canto junto também. A cada toque dessa musica psicótica eu relaxo cada vez mais. Eu vejo fadas flutuantes e borboletas no meu quarto. Eu me alimento muito mal você não acha? Eu tomo banho e ouço gritos, batidas na porta do banheiro. Eles me esperam só pra dizer que não concordam, mais é tudo para o meu bem, não é querida? Com quem é que esta andando? Cade os seus amigos? Aonde é que você vai? Essas pessoas não me aparentam ser..elas não combinam com você. Quem é para mim, Deus? Não sei se acredito mais. E é por isso, é só por isso que eu vou sair de novo. Que eu vou fazer tudo outra vez. Eu não me importo, eu não quero mais saber. Ah, eu adoro vídeo game!
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Azul
E eu estava ali. Parada, sentada. Aquela cadeira velha e bamba rodopio como quem não pensa em nada, e não penso mesmo. Minhas pernas rodam pra lá. Minhas pernas rodam pra cá. Eu não dançava a música que eles ouvem, lixo. Tenho os meus fones. E na verdade os nossos olhares já se cruzaram uma vez, se cruzam cinco vezes por semana. Agora é tudo azul, completamente azul. Mas, tudo faz parte do meu plano: cotidiano. Eu não gosto dele, mas, alguém me obriga a viver a seu lado. Enfim, eu estou aqui e agora. Eu bebo o meu vinho e sinto dificuldades pra escrever e pensar em um só assunto. Só que voltando ao que falava antes, eu não tenho senso de humor, não sou simpática e, o mais cruel, eu não sei mentir. É, quando acontecer com vocês, vocês vão ver, podem rir agora, só que mais tarde eu sumirei, não vão me ver nos finais de semana. Hahaha. Muito cruel pra vocês? Fracos, farei pior. E quanto á você, esqueça. Eu mal sei pronunciar o seu nome. Curta e grossa, desculpe. Não faz o meu gênero, infelizmente, ou felizmente não sei. Algumas já fizeram, é claro. E uns outros fingem não saber. Mas prefiro assim, não gosto deste assunto. Já não mais sobre o que é que estou falando.Tudo azul.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Esquecer
Que dia cansativo, havia tempos que não ficava assim, destruída. Estive na prisão pela manhã e durante a tarde toda. É, essas quintas feiras me matam. Cheguei em casa quase que rastejando pelo chão, trombando pelas paredes, já pensando em ir dormir. Só que minha velha me chamou, e ela quer a minha companhia, deve ser mais uma bronca. Mas que surpresa! Já estava na hora de a ter só para mim. Nos sentamos na mesa pequena, e como estava frio! Eu preferia tomar vinho. Ela quer cerveja de inverno, cerveja preta. E já me imaginou recusando uma dessas? Eu não. Aquele fim de tarde ou começo de noite estava a fim é de um sambinha. E falando nele, salve salve Jorge Aragão: " Tem nada a ver com a cor alguém sambar/Tem nada a ver com a cor saber gingar ". E aos poucos a gente acaba relaxando, solta os ombros, descruza as pernas, para de passar a mão pelo cabelo o tempo todo, e daí pra frente solta o verbo, sem se preocupar com um vocabulário nato, ou medir o nível de nossos palavrões. Falamos mal, falamos bem, não falamos nada. Falamos de um porco que usa terno e carrega um lenço na mão, mas este não é Rabicó. Ela estava de regime e agora quer me acompanhar: dali batata frita e linguiça calabresa com cebola e pimenta para a nossa larica da noite. Me parece que a velha até dançou por alguns segundos enquanto foi buscar o guardanapo, mas assim que percebeu que estava olhando, ela disfarçou e foi se deitar. Ela me largou lá, sozinha, com o chão rodando. Eu ainda estou cansada, mais devo dar boa noite a alguém. Fiquei lá, que nem boba, embaixo das cobertas pensando no que é que vou dizer, tentando apertar a letra certa. O bom senso me vence, mais que pessoa mais sem tipo! Você não está com a bola toda assim também não mocinha. Até Ela, a velha não, Ela, já não te aguenta mais e deu um basta. Você sabe de quem é que estou falando. Amanhã ou depois vai voltar para a capital e você vai ficar, você sempre fica. E se ele resolve ficar, só para te ver, é você quem vai. Ninguém te entende menina! É melhor esquecer.
domingo, 31 de julho de 2011
Meu fim
E para que é isso tudo? Eu me arrumo, penteio os cabelos, uso vestido e meus saltos. Rabisco a minha cara, é assim que papai se refere a maquiagem. Quem me conhece não reconhece, que linda princesinha! Ando devagar ao lado de mamãe e comprimento suas amigas. Todas carregadas de joias e falsidade. Já os amigos de papai sempre com o mesmo papo para todas as menininhas: Nossa mais que belezinha, tão bonita! Vai dar um trabalho hein? Já tem namorado? Só porque você tem idade não é obrigada estar namorando, e ficam se entreolhando quando digo que não. "-Vá la com sua mãe, sente-se com as mulheres." Sente-se com as najas ele quis dizer. Que piadinhas mais sem graça, faço questão de não rir. Tudo o que eu trouxe foi um sorriso arranjado, mais somente na hora dos comprimentos, mal humor e antipatia. Não faço a menor questão de estar mesmo aqui, aliás, mera livre e espontânea pressão. Capitão América seria mais atraente. Estaria tão a vontade de tênis e jeans esparramada na poltrona do cinema, junto a um saco de pipoca gigantes e minha indispensável coca-cola. Esses perfumes se misturando tão doce e enjoativo me faz sentir enjoo. E essa musica? Eles dançam como se estivessem participando da apresentação de um circo mal frequentado qualquer. Já que é assim, não comi nada a tarde toda e faço a festa, pelo menos a comida aqui é uma delícia. Já era de alguém me reprimir: "É falta de educação encher o prato nessas festas, seja educada e coma somente o essencial" Pra mim o essencial é tudo isto aqui e em boa quantidade. Se quer mesmo saber, prefiro não comer já que é assim, vamos passar para o bom vinho, alguma coisa tem que vingar nesta tortura. Geladinho! Já que não estou nem um pouco afim de ouvir algumas barangas falando mal de outras o que me resta é rir deste grande teatro! Acredita que antes de sair de casa minha mãe estava ensaiando como tirar o casaco ao entrar na festa e pendurar no braço? Acha que não pode piorar? Fui ligar pra alguém me raptar desse zoológico e cade a bateria do meu celular? Oh Céus!
Mais ali no cantinho tem uma moça. Uma moça não, uma velha. Ela dança e ri sozinha. Toda descabelada e tem sapatos da mesma cor de seu vestido, parece uma duende mãe. Sua maquiagem é tão colorida, mais ela não conversa com ninguém, ela só ri. Ela sorri pra mim. Acho que é meu fim, estou vendo duendes.
Mais ali no cantinho tem uma moça. Uma moça não, uma velha. Ela dança e ri sozinha. Toda descabelada e tem sapatos da mesma cor de seu vestido, parece uma duende mãe. Sua maquiagem é tão colorida, mais ela não conversa com ninguém, ela só ri. Ela sorri pra mim. Acho que é meu fim, estou vendo duendes.
sábado, 30 de julho de 2011
Adeus a Ilha
Ela é tão linda e essa sobremesa me faz ver os seus cabelos balançarem de uma forma diferente, agora estão mais brilhantes e compridos do que nunca, seus cabelos chegam ao chão. Eu acho que não, mais ela diz que ele compreende. Os raios coloridos veem das estrelas e iluminam a nossa pista de dança. Eu ando vendo pessoas a minha frente que não podem estar aqui, que não estão aqui. Mas eles nos viram dividir uma bebida de fogo com olhos de ogro, e com tantos espelhos assim eu não sei de que lado estão me olhando. Me vem uma liberdade de repente me fazendo contar histórias e conversas mal entendidas com alguém que não consigo olhar o rosto. Tem um demônio atras de mim, essa Moreia gigante e verde tenta comer a minha cabeça toda de uma só vez. Estou vidrada neste infinito azul, os meus olhos doem e ardem e eu mal consigo piscar, ela me enfeitiçou. Essa cobra mortal aparenta estar parada mas ela se aproxima aos poucos, e eu não consigo me mover. Agora já em meu quarto ela come biscoitinhos com patê de peito de peru que não cheira nada bem. Enquanto eu disfarço as minhas viagens ela parece vó e manda tirar o sutiã do chão. Eu sei que elas precisam de espaço e de fato, eu não me comportei nada bem esta noite. Mas la fora ainda tem lua e a piscina me grita, é melhor eu me refrescar. Cheguei a lagoa e agora tenho até publico. Eles pensam que sou uma sereia. A minha cabeça pesa e preciso voltar ao meu quarto, antes que eu adormeça aqui mesmo. Diga adeus a Ilha. Não sei se vou conseguir, alguém me carrega.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Confesso
Confesso que senti saudades.
Confesso que senti medo.
Confesso que senti angustia.
Confesso que me fez chorar.
Confesso que na maior parte me fez rir.
Confesso que com você eu até que pensei que era feliz.
Confesso que eu sempre soube quem você era de verdade.
Confesso que eu não escuto mais Ben Roots quando estou só, porque lembro de quando cantava pra mim.
Confesso que não chupo pirulito big big cor-de-rosa porque me faz lembrar o nosso beijo.
Confesso que não gosto de fumar cigarros de palha porque em parte, esse era seu cheiro.
Confesso que quando te vejo, finjo não estar vendo mas sei o que fez durante a noite toda.
Confesso que cortei o meu cabelo porque você gostava dele comprido, e tudo que me faz lembrar-te, eu não quero mais.
Confesso que eu fingia ser boba só pra ver até onde você iria,
E confesso que você foi longe de mais.Eu me deixei levar.
Confesso que ninguém chegou até onde você foi, até hoje.
E confesso também que ninguém mais tinha esse direito a não ser você.
Confesso que sua atitude foi a de um covarde,
E confesso que logo após eu estava tão cega que não pude perceber.
Confesso que ás vezes eu ainda bebo por você, por nós,
Como se estivesse aqui, como se estivesse ao meu lado,
Ainda.
Confesso que isso também me fez crescer, e saber que eu sou maior do que você.
Não me sinto superior, me sinto maior.
Confesso que melhorei as minhas amizades, e não ando tendo uma vida tão vulgar.
Confesso que agora eu sinto um aperto no meu coração, e que por você eu voltei a acreditar em Deus.
Mas confesso que você não me vinha fazendo falta.
Mas agora, eu confesso principalmente, que preciso que continue vivo.
Aqui. Não do meu lado, mas,
Confesso que quero ter a certeza, todos os dias, que você ainda está aqui, de que você sobreviveu.
Mas não espere que meu orgulho morra. Não por você.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Meu Anjo
E mais uma vez aconteceu. Esperei que todos dormissem, e já de roupas e sapatos, eu fiquei na cama durante algumas horas embaixo das cobertas, mas tudo já estava preparado. E então á meia noite eu começo a executar o mesmo plano. Eu levanto cuidadosamente no escuro e encontro o celular, é com aquele feixe de luz que eu localizo o meu caminho. As cortinas estão fechadas, tudo não passa de um disfarce, a janela preparada já me aguarda aberta. E, para noites tão belas eu jamais poderia esquecer do meu batom vermelho e meus brincos de mármore. Eu jamais poderia estar descuidada frente a incrível lua cheia e seu mestre gato o qual eu só vejo nessas noites, ou no filme da Alice. Porém, eu não uso meus saltos e nem roupas provocantes, muito menos levo bolsa. Apesar de linda a noite é perigosa. Forjo um corpo semelhante ao meu e deixo a confortável cama mal arrumada como se eu realmente estivesse lá. Ai está um beneficio para quem tem o corpo flexível e eu pulo a janela sem fazer qualquer ruído. O portão da entrada não faz barulho para abrir mais faz para fechar, e é por isso que ele fica aberto até eu voltar. Agora eu sou livre, independente. Agora eu faço o que quiser. Posso gritar, correr, deitar na rua, tentar um suicídio, roubar, matar, me embebedar, me drogar, mais eu não vou fazer isso. Eu não vou fazer tudo isso. Agora eu apenas caminho, a fim de ouvir todos os barulhos da cidade adormecida, parece música! Cada viagem dessas é mesmo fantástica! Fabulosa! Mais que se não o melhor companheiro de uma solitária da noite que o vinho? Pois bem, naquele boteco da esquina prestes a fechar, eu pago um preço absurdo. Não me importo. Passo por bosques e praças, algumas vazias e outras ainda encontro uma galera. Rodamos de carro sem ter pra onde ir, quando alguém cansado sede sua residência. Tudo o que temos são as pessoas, uma musica e um lugar. E eu começo a me confundir entre o real e o abstrato, e já não sei se estou no mundo real de quando sai de casa, ou em algum filme de ficção científica. Minha mãe me liga, será que ela descobriu a minha fuga? Eu não ligo não, ainda é cedo e a noite não acabou. Mas alguém insiste em me levar embora, eles devem saber disso melhor do que eu, não consigo voltar pra casa sozinha. Eu não consigo parar de rir, só que estou tão cansada que até o meu sorriso é devagar. Minha cabeça roda e o chão esta dançando, eu acho que vou com eles. Não vão fazer nada de mal pra mim, já os conheço tem bom tempo, eu só não mantenho contato frequentemente. O caminho foi longo, o carro estava abarrotado de pessoas saindo pelos vidros e animais pelo teto solar. Reconheço a minha rua e alguém abaixa o som, eu entro vagarosamente e me esforço para não fazer barulho, mais minha mãe acordou. Ela fala muito e eu não quero ouvir. Essa noite eu tenho companhia no meu quarto, eu vou dormir muito bem. Essa noite o meu anjo veio dormir comigo e Ela não vai me deixar voltar naquele lugar.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Vagabundólatra
Acordo. Levanto. Com a cara amassada coloco a água pra ferver. De meias, pantufas e uma camiseta velha, eu coloco o disco do John Lennon. Folheio o jornal sem ler se quer uma palavra, gosto mesmo é das figuras. Passo o café. Tomo uma caneca e como uma torrada com geléia de framboesa. Alimento meu Dente de Sabre e liberto minha coruja para dar uma sapeada, enquanto ela despacha uma carta aos meus superiores. Como ela é linda! Dessas ninguém nunca viu igual, a minha coruja é listrada como uma zebra. Visto uma calça jeans já enxovalhada e uma das quinze camisetas que tenho igual. Se não acho meus sapatos vou descalça mesmo, pouco me importa. Eu pego minha bagagem e começo a minha jornada. Pelo caminho eu ascendo um cigarro, e caminho vagarosamente enquanto aprecio a paisagem. Eu adoro essas árvores laranja, e esses hipopótamos plantados nos jardins. São tão gordinhos que mal conseguem caminhar, só que eles sorriem. E eu já havia ouvido mesmo que todos os gordinhos são felizes. Este céu de cor indefinida não me deixa saber se já é dia, ou se ainda é noite. Confesso que tenho certa inveja daqueles que vão para o trabalho em um tapete voador, porém no fim do ano eu já vou tirar minha carteira. Eu chego ao meu destino, já estou na fila e agora tenho que entrar. Ultrapasso aquele muro, dou o meu braço e eles encontram meu código de barras, daí vem logo aquelas histórias de que cobras que balançam muito o chocalho não comem muito. O colorido das avenidas e do bosque por onde passei some, e minha visão fica embaçada. Tudo fica branco, preto, letras, números, frases e fórmulas por todos os lados. A minha liberdade provisória, o que eles insistem em chamar de final de semana acabou. É todo mundo tão parecido e tão igual que fico confusa. Seus nomes são todos iguais, quantas Gabrielas tem mesmo por aqui? Acho que são milhões, ou pelo menos umas cinco. Tem pessoas que cochicham sobre mim o tempo todo e ainda pensam que eu não ouço, este é o problema: elas só pensam. Também tenho alguns amigos por aqui, mais eles também são parecidos e às vezes esqueço seus nomes. Tenho ainda uma colega de cela que é especial. Ela tem uma outra pessoa dentro de sua barriga! Eu não sei como isso é possível, mas ela diz que se chama gravidez. De qualquer maneira, eu queria ver essa pessoa, porém ela diz que ainda não é hora. Estou muito ansiosa, não sei se já vi uma dessas antes. Tocou o sinal, dizem que é o momento da refeição, mas vão nos entupir de venenos, frituras. Ligam o rádio e temos até uma musica para ouvir. Ninguém é tão bonzinho assim, eles querem nos testar, vão ficar a observar. Esta na hora de voltar para a “solitária em conjunto”, lá ninguém pode dizer nada a não ser Ele. Ele se acha o máximo, sabe mais que todos nós, ou acha que sabe. Aqui o tempo não passa, tanto que em dias de testarem a minha evolução, eu não posso usar relógio. Tocou o sinal novamente, agora é o banho de sol, quando eu aproveito para ir almoçar. É uma espécie de confiança que nos dão, nos deixam sair e em duas horas temos que estar de volta. Eu já não voltei, já fugi muitas vezes. Porém meus superiores sabem que sou vagabundólatra. E a vagabundagem você não deve experimentar, porque quando percebe já está viciado. É pior do que o craque. E é só cruzar o muro, que minha visão desembaraça, e vejo tudo colorido novamente. Já é noite, e os tapetes voadores ascendem suas luzes, as casas piscam, e as pessoas usam seus óculos de lua. Amanhã eu tenho que trilhar o mesmo caminho, e começa cedo. Nessas noites comuns eu não posso comer um boi ou um porco, nem usar as minhas roupas brilhantes. Eu volto então para o lugar das garrafas empilhadas, das roupas rasgadas, e das paredes pintadas. Talvez Jack vá me ver. E eu tenho que ir, como já disse, amanhã voltarei ao presídio cedo. Amanhã irei á escola novamente.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Rosinha Cachaceira
Tomou um gole de cachaça
Pôs sua cabeça a rodar
E não é que Senhorita Rosinha
Nem pensa mais em trabalhar!
No trampo, no canto, que tanto
Mas que canseira a ela dá
Conheceu a bohemia da noite
Agora só fica a festejar.
Ela não come, não dorme, não descansa
Só quer mesmo farrear
Dama da noite, nova profissão
Resolveu novamente trampar.
Rosinha fica com um,
Rosinha fica com outro,
Desta canseira ela gostou
E seu pai José, freqüentador de casas noturnas
A seguinte notícia chegou:
-Moça nova e bonita,
Faz muito bem e cobra barato
Aceita até velho banguela
Você vai ficar acanhado.
Seu José pensou um pouco
E esboçou um sorriso de lado:
-Será mesmo que chegou
Uma merecedora deste cargo?
E com uma desfeita dessas
Seu Sebastião ficou tão bravo:
-Como pode o senhor
Uma dama ter desprezado?
Seu José mais que depressa
Foi obrigado a dizer :
-Na verdade meu amigo
Eu estou abismado
Como pode uma dama
De banguelas ter gostado?!
Deve ser profissional
Categoria deve ter
Até logo já vou indo
Quero logo a dama ver.
E para casa então correu
Nem o seu café tomou:
-Rosa mãe não vou comer,
Só tomarei banho e já me vou
O Rodrigo meu amigo
Para sua casa me convidou,
Jogar baralho esta noite
Primeira rodada já começou
Não me espere para dormir
A mulher dele viajou.
Esta noite será dos homens
E o banho já acabou
Pôs o terno mais elegante
E passou a colônia mais cara
Fez a barba, pos sapatos
Saiu ás pressas pela calçada
Já chegando no bordel
Não pediu a cerveja gelada
-Quero logo ir para o quarto
Com a moça mais ajeitada!
-Seu José tem novidades
Dama de fora aí chegou
Os clientes tem gostado,
Ela tem trabalhado um bocado.
-Essa mesma que eu quero
Peça a ela que me espere
Hoje estou tão ancioso
E sorriu todo pomposo.
Porém mal sabia ele
Que era a sua filha amada
A Rosinha cachaceira
Que os homens tem gostado.
Ascendeu o seu charuto
O chapéu jogou de lado
A bengala apoiava
Em seu andar ao fim da escada,
E lá no ultimo quarto
Com a porta escancarada
Uma dama o esperava
De costas ali parada
Vestimentas descaradas
Que nenhuma outra moça usava
-Boa noite Seu José
Pode me chamar de Rosa,
Uma noite inesquecível
O senhor irá passar!
Se você tem preferências
Trate logo de falar.
Esperou pela resposta
E ele nada a falar
Então a musica tocou
E Rosinha foi dançar
E quando ela rodopiou
Mas que susto ela levou
Pôs-se logo a chorar
E seu pai a disfarçar.
-Oh papai peço desculpas,
Não queria que soubesse
Eu não tive outra escolha
A cachaça me pegou!
-Minha filha largue disso
Que desculpa mais tolinha
Vou-me embora para casa
Pela manhã passe na praça
Sua bagagem lá estará.
Não estou te condenando
Eu estou é te poupando
Fugiremos para Brasília
Um cassino clandestino
Eu sou o dono de lá!
Você não trabalhara,
Muitos homens poderosos
Lá costumam freqüentar
E você vai se casar!
-Não papai me largue aqui
E vá o senhor morar lá,
Eu sou mulher trabalhadeira
Eu não gosto de tranqueiras
Eu não quero me ferrar
Quero ter o meu dinheiro
E beber minha cachaça
Quero ter os meus clientes
Quero ser independente.
Seu José bandido nato,
Fugiu mesmo pra Brasília
Foi viver na putaria
E esqueceu sua família.
Já Rosinha cachaceira
Faz sucesso na cidade
E como esta na flor da idade
A cachaça vem de graça.
Seu Sebastião um bom velhote,
Convidou-a pra casar,
E já que a moça não aceitou
A mãe dela convidou.
Rosa Mãe já tão carente
De Seu José era dependente
Mas sozinha não ficou
E com Seu Sebastião se casou.
As coisas foram se acertando
Cada um com o seu ficou
A cidade comentando
Mas com o tempo vão esquecendo
Mais um tempo relembrando
E tudo vai recomeçando.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Monotonia
-Ela não tem cabelos! Aonde é que já se viu uma menina sem cabelos! E ainda por cima pinta as unhas de vermelho, usa roupas curtas indecentes e até dizem por aí que ela toca guitarra em uma “bandinha de rock”! Mas meu filho, a Clarice é tão bonita, tem olhos claros e cabelos louros, toca piano, já se formou na faculdade e tem uma ótima família. A Clarice não fuma meu filho, ela não fuma! A Clarice se quer já experimentou bebidas alcoólicas e você vem me dizer que sua nova namorada esta a sua espera no bar do Jorginho. Lá é lugar para os homens meu filho. E não os bons homens como o meu mocinho não, lá é lugar de bandidos bêbados e drogados. Ah Meu Deus, porque é que seu pai nunca está em casa quando eu realmente preciso daquele infeliz? Alguém tem que tirar essa loucura da sua cabeça. Você sabe aonde é que ele se meteu? Só pode estar bebendo, ele só pode estar bebendo. Ela te hipnotizou com toda aquela história de sono astral e você tolinho nem percebeu.
-Mãe eu já tenho 21 anos e a senhora sabe muito bem disso. Já sou um rapazote quase formado e agora eu já tenho os meus direitos.
-Pois então, você já está quase formado e ela nem terminou o ensino fundamental. Ah meu filho! Você não pode. Você tem um nome a zelar. E também, como é que vai levá-la para passear, se ainda nem tem um carro. Essas meninas são interesseiras meu filho, ouve o que sua mãe lhe diz. Santo Cristo, não me diz que esse barulho de trator é aquela garota rabiscada, que você ainda insiste dizer que é tatuagens, com aquela moto monstruosa. Chega a dar medo! È tão arriscado essas modernidades querido, não prefere jogar dominó com seu avô, ele já esta para chegar!
-Faça-me o favor mamãe! Estou de saída, vou dar uma volta, espairecer as idéias. Vou conversar em algum bar, tomar uma cerveja e vou até para uma festa mais tarde. Hoje não usarei meus sapatos engraxados, vou de tênis! E olhe minha camisa mamãe, vou com os dois primeiros botões desabotoados sim e sem gravata, e a senhora nem tente me impedir. É assim que Lara quer me ver. Não me espere para o jantar. Aliás, não dormirei em casa hoje mamãe. Não dormirei.
E não dormiu. Não dormiu nunca mais.
Maurício deixou os cabelos crescerem, e tem barba. Bebe cerveja no bar do Jorginho todas as quintas feiras e finais de semana. Maurício agora tem o braço tatuado, parou de praticar atletismo e anda malhando na academia. Maurício doou seus blazers e as calça sociais, ele usa all-star, roupas de couro, óculos escuros e aprendeu a tocar violão. Trocou o café pelo conhaque, o piano pela guitarra, Clarice pela Lara, a casa dos pais pela cobertura em Ipanema, o escritório pela banda, o individualismo por três filhos, a dieta balanceada por ovos e torresmo, o vinho pelo wisky, a monotonia pela satisfação.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Assim
"Acordei. Fiquei vagando meu olhar lentamente ao meu redor, tentando me recordar aonde estava. Garrafas quebradas, roupas rasgadas e espalhadas, restos de comida, paredes pintadas, livros aos montes, todos empilhados e certamente empoeirados. Um cheiro doce e místico pairava no ar e um incenso já chegando ao fim, mirra. Levantei receosa e me deparei com uma caneca com café e torradas com mel. Ainda saia fumaça, estava quente, forte e com pouca açúcar. Encontrei uma janela, já era noite. Aliás, que horas são? Uma música soa baixinho e me faz sentir tão bem, minha mente se esvazia e não consigo pensar em mais nada. Ouço ruídos, passos se aproximam, mas nada me preocupa, estou tão á vontade. Olho para trás e la estava ele, Jack. A quanto tempo não o via, pensei até que tinha morrido, mas ele só aparece nos momentos bons. Me oferece um dos seus cigarros. Mas que pena! Eu não fumo mais! Pois, pensando bem aceito sim, sabe-se lá quando é que verei este maldito duende novamente. Eu tento uma conversa, mas ele nunca responde. Jack aprendeu a tocar flauta, mais que musica infernal! Ele só sabe três notas? Pare! Por favor! Não! Continue! Continue enquanto eu fumo o meu cigarro e escuto uma ótima musica! Começou a viagem, tenho de descobrir aonde é que estou. Mas não se preocupem, contarei tudo a vocês."
Assim, ela começou a escrever.
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